Neste ano fui agraciada com uma turma que vai exigir muita firmeza mesclada com carinho e atenção. Tenho alunos bem diversificados, desde os tímidos ao extremo aos falantes como papagaios, mas são todos muito fofos.
Iniciei um trabalho que visa à percepção do outro enquanto ser diferente do padrão que a sociedade exige. Para tanto venho utilizando-me do Livro - O livro das diferenças da Marcela Catunda ed. Caleidoscópio - Nossa primeira história foi da joaninha de bolinhas quadradas. As crianças amaram! Deixei o registro com desenho livre e surgiu cada joaninha mais fofa que a outra.
Na sexta feira vamos trabalhar a história da girafinha de pescoço curto e o registro será de forma diferente. Vou medir cada aluno com um barbante e convidá-los a enrolar o barbante como a casinha do caracol. Ao final eles perceberão que cada um terá uma "casinha de caracol" diferente do outro... Teremos a história da onça florida, do tamanduá que adora formigas, etc. E assim vou continuar o trabalha até o final do livro e catalogar cada um. Acredito que ao final algo de diferente estará dentro de cada um e a turminha estará mais amadurecida.
Hoje foi muito interessante... Conversamos sobre o amor de Deus e as coisas criadas por Ele para cada um de nós: os rios, o oceano, a lua, a terra, o dia, a noite, o ar, as plantas... enfim tudo que temos. Solicitei a eles que utilizassem quatro pauzinhos de picolé e fizessem um registro que representassem os presentes de Deus para nós seres humanos. Foi incrível, cada criação de arrepiar... Profunda! Autentica! Viva!...
A criança é a essência de tudo.
Beijocas a todos
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Sumiço
Olá meus amigos,
Venho pedir desculpas pelo sumiço, mas no Domingo dia 30 de Janeiro subi, como normalmente faço, em um banco da minha cozinha e ao descer consegui fazer a mágica de romper as fibras do músculo da panturrilha. A dor não desejo para ninguém. Até hoje estou meio que de molho, pois como não tive coragem de tirar licença para repousar (coisas que só professor faz), a regeneração do músculo é mais demorada.
Como tirar licença se o ano estava iniciando e meus alunos são muito pequeninos para conhecer uma professora que não é a deles e depois acostumar com a professora verdadeira... O transtorno seria enorme.
Como faço acumputura com uma pessoa incrível e vovó de uma ex-aluninha fantástica, na sexta-feira fui atendia por ela e fizemos "tortura chinesa", doeu, mas foi ótimo... Fiquei cheinha de roxos kkkkk. À noite minha grande companheira mamãe chegou de Saquarema e ficamos até tarde colocando a fofoca em dia. Com dor, não aguentei e fui deitar. No sábado quando acordei minha panturrilha até o tornozelo estava amarelada forte. Ficamos todos preocupados e voltei para a amiga e médica acumputurista. Muito zelosa e atenciosa ficou comigo por bastante tempo e solicitou alguns exames. Cai novamente no hospital da UNIMED e lá descobri o rompimento das fibras e que o amarelão era o edema interno que estava extravasando e a tendência era ficar esverdeado a com possibilidade de inchar o pé. Que maravilha!!!!
Como disse minha mãe: - Acho que você está virando Hulk... kkkkk Bem a semana passou e agora o calcanhar esta roxo e inchado. As dores estão diminuindo... Vou levando... Amanhã mais um encontro maravilhoso com a acumputura e muita paz! Beijocas a todos e mais uma vez desculpe pelo sumiço.
Venho pedir desculpas pelo sumiço, mas no Domingo dia 30 de Janeiro subi, como normalmente faço, em um banco da minha cozinha e ao descer consegui fazer a mágica de romper as fibras do músculo da panturrilha. A dor não desejo para ninguém. Até hoje estou meio que de molho, pois como não tive coragem de tirar licença para repousar (coisas que só professor faz), a regeneração do músculo é mais demorada.
Como tirar licença se o ano estava iniciando e meus alunos são muito pequeninos para conhecer uma professora que não é a deles e depois acostumar com a professora verdadeira... O transtorno seria enorme.
Como faço acumputura com uma pessoa incrível e vovó de uma ex-aluninha fantástica, na sexta-feira fui atendia por ela e fizemos "tortura chinesa", doeu, mas foi ótimo... Fiquei cheinha de roxos kkkkk. À noite minha grande companheira mamãe chegou de Saquarema e ficamos até tarde colocando a fofoca em dia. Com dor, não aguentei e fui deitar. No sábado quando acordei minha panturrilha até o tornozelo estava amarelada forte. Ficamos todos preocupados e voltei para a amiga e médica acumputurista. Muito zelosa e atenciosa ficou comigo por bastante tempo e solicitou alguns exames. Cai novamente no hospital da UNIMED e lá descobri o rompimento das fibras e que o amarelão era o edema interno que estava extravasando e a tendência era ficar esverdeado a com possibilidade de inchar o pé. Que maravilha!!!!
Como disse minha mãe: - Acho que você está virando Hulk... kkkkk Bem a semana passou e agora o calcanhar esta roxo e inchado. As dores estão diminuindo... Vou levando... Amanhã mais um encontro maravilhoso com a acumputura e muita paz! Beijocas a todos e mais uma vez desculpe pelo sumiço.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Volta as aulas
Ufa! As férias foram embora, o tempo mais uma vez voou por entre os dedos e chegou a hora de voltar. Na verdade já voltamos antes mesmo do dia, pois professor que ama o que faz está sempre inovando, procurando fazer o bom ficar ótimo / o ótimo, ficar excelente e assim vai... A surpresa veio já na primeira reunião, comecei o ano com 29 alunos...uau! Novos professores e coordenadores e o coração aberto para acolhê-los. Na arrumação da sala o empenho é total, novos cartazes para enfeitar e alegrar a turma, todos coloridos/cheios de vida. No mural uma frase diferente da habitual "Seja bem vindo". Claro que ela não faltou, mas no alto coloquei outra tão verdadeira - "Nossa escola fica mais alegre com a sua chegada". Deixei o centro livre para no segundo dia colar os desenhos que eles (os alunos) realizarão, pois no primeiro vamos apenas nos conhecer, enturmar, brincar... aconchegar.
Acabou a reunião e fui para casa, lá iniciei meu "namoro" com a turma, tentava em cada fotinho lembrar dos alunos do segundo período, e fazer a relação... cada um mais fofinho que o outro. Aqueles que ainda não tinham foto a curiosidade aumentava... Que turminha mais fofa! Preparei os crachás, conforme o modelo do blog, ficaram muito meigos. Muito carinho e atenção ao preparar a ficha com os dados pessoais de cada aluno (quem é autorizado a buscar, se tem algum cuidado especial, formas de contato...) Excelente oportunidade para já saber um pouquinho de cada um, afinal são trinta pequeninos que ficarão aos meus cuidados no período da tarde e gosto de estar bem próxima de cada um, de conhecer a família, as alegrias e os problemas... Acredito ser muito valioso este conhecer, pois, estrutura o processo ensino/aprendizagem. Tenho sido muito feliz nesta relação professor/escola/família. Claro que às vezes a parceria não acontece, mas na maioria o resultado tem sido excelente.
Cheguei à escola 12h: 50m fui para minha sala completar o mural com mais um mimo. Às 13h e 10 m. segui bastante ansiosa, em direção ao local onde estava marcado o encontro com as crianças e suas famílias, apesar do encontro ser às 13h e 30 min. quando cheguei as famílias e as crianças já estavam indóceis. Que delícia de acolhimento, todos muito receptivos, cada rostinho mais curioso e feliz – Ser criança é bom demais – Confesso que em meio a tanta receptividade sempre há alguém que não agradamos, que questiona tudo, mas graças a Deus foi minoria e pautada na crença de que desta vida só devemos absorver as energias positivas, relevei e passei uma tarde agradável e bem interessante. Uma das belezas que só a nossa profissão tem é poder receber tantos fluidos positivos emanados pela pureza das crianças – Obrigada Deus por esta dádiva –
Recebi com amor crianças espertinhas, espertas e espertas até demais... kkkkk Caladinhas, acanhadinhas, falantes, participativas... Que diversidade! Que riqueza!
Bem agora já voltei e estou cheia de novas ideias para amanhã, contação de histórias para trabalhar as diferenças – Gosto de trabalhar com vários livros dentre eles tem um de histórias curtinhas e bem humoradas, da Marcela Catunda / O Livrinho das Diferenças – Técnicas para confecção das primeiras páginas dos cadernos, visita ao bosque, enfim muita coisa legal criada e elaborada por quem ama o que faz. Beijocas a todos e até a próxima. Carla
Em tempo, pois não podia deixar de relatar a visita dos amigos Emília e Thiago (ex-aluno), sempre presentes. Visitinha gostosa para matar a saudade e desejar um bom ano de trabalho. Obrigada também a todos os alunos e pais do ano passado que me procuraram para dar aquele beijinho carinhoso cheio de saudade, cumplicidade e a energia que impulsiona o fazer por amor
Em tempo, pois não podia deixar de relatar a visita dos amigos Emília e Thiago (ex-aluno), sempre presentes. Visitinha gostosa para matar a saudade e desejar um bom ano de trabalho. Obrigada também a todos os alunos e pais do ano passado que me procuraram para dar aquele beijinho carinhoso cheio de saudade, cumplicidade e a energia que impulsiona o fazer por amor
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
PALAVRAS DO CORAÇÃO
De volta as crônicas do livro "Histórias para aquecer o coração". Ao ler a crônica que relatarei abaixo, não fiquei apenas no relacionamento homem / mulher, fui além, como os próprios autores do livro nos incentivam. O mais interessante foi que hoje uma prima querida, fisicamente distante, mas espiritualmente presente/próxima, escreveu-me algo mo Skype que foi de encontro a esta crônica, nisso mais que depressa decidi postá-la. Então vamos lá, espero que gostem.
PALAVRAS DO CORAÇÃO
As lágrimas mais amargas derramadas sobre os túmulos são por palavras não ditas e atos não realizados.
Harriet Beecher Stowe
A maioria das pessoas precisa ouvir alguém dizer "Eu te amo". E há vezes em que ouve bem a tempo.
Conheci Connie no dia em que foi admitida na ala do sanatório onde eu trabalhava como voluntária. Seu marido, Bill, ficou por perto, nervoso, enquanto ela era transferida da maca para o leito de hospital. Ainda que Connie estivesse no estágio final de sua luta contra o câncer, estava alerta e animada. Nós a acomodamos. Terminei de marcar seu nome em todos os suprimentos de hospital que ela usaria e perguntei se precisava de alguma coisa.
_ Oh, sim - disse -, será que você poderia me mostrar como usar a televisão? Gosto tanto de novelas, que não quero perder o que está acontecendo.
Connie era romântica. Adorava novelas de TV, histórias românticas e filmes com uma boa história de amor. Conforme fomos nos conhecendo, ela me confidenciou como era frustrante ser casada há 32 anos com um homem que frequentemente a chamava de "boba".
_ Ah, eu sei que o Bill me ama - disse-, mas ele nunca foi de dizer que me ama, ou de mandar cartões.
Suspirou e olhou através da janela para as árvores do jardim.
_ Faria qualquer coisa para ele falar "Eu te amo", mas simplesmente não é do seu feitio.
Bill visitava Connie todos os dias. No começo, sentava-se ao lado da cama enquanto ela assistia às novelas. Depois, quando ela começou a dormir mais, ele andava de um lado para o outro no corredor do lado de fora do quarto. Logo, quando ela não via mais televisão e passava períodos menores acordada, comecei a passar a maior parte do tempo com Bill.
Ele falava de quando trabalhava como carpinteiro e de como gostava de pescar. Ele e Connie não tinham filhos, mas aproveitavam a aposentadoria viajando, até que Connie ficou doente. Bill não conseguia expressar o que sentia sobre o fato de sua esposa estar morrendo.
Um dia, depois de tomar café na lanchonete, puxei conversa com ele a respeito a respeito de mulheres e de como precisamos de romance em nossas vidas, como adoramos receber cartões sentimentais e cartas de amor.
_ Você diz a Connie que a ama? - perguntei, sabendo a resposta, e ele me olhou como se fosse louca.
_ Não preciso - disse - Ela sabe que a amo!
_ Tenho certeza de que ela sabe - falei inclinando-me e tocando suas mãos ásperas de carpinteiro que seguravam a xícara como se fosse a única coisa a qual ele pudesse se agarrar. _ Mas ela precisa ouvir Bill. Ela precisa ouvir Bill. Ela precisa ouvir o que significou para você durante todos esses anos. Por favor, pense nisso.
Voltamos para o quarto de Connie. Bill desapareceu lá dentro e eu fui visitar outro paciente. Mais tarde, vi Bill sentado ao lado da cama. Ele segurava a mão de Connie enquanto ela dormia. Era o dia 12 de fevereiro.
Dois dias depois eu estava andando pela ala do sanatório ao meio dia. Lá estava Bill, apoiado contra a parede do corredor, olhando para o chão. Eu já soubera pela enfermeira chefe que Connie morrera às 11 horas.
Quando Bill me viu, permitiu que eu o abraçasse por um longo tempo. Seu rosto estava molhado de lágrimas e ele estava tremendo. Finalmente encostou-se de novo na parede e respirou fundo.
_ Tenho que dizer algo - falou -. Tenho que dizer como me sinto bem por ter dito a ela. _ Ele parou para assoar o nariz. - Pensei muito a respeito do que você me disse e, essa manhã, falei para ela quanto a amava e como era maravilhoso estar casado com ela. Você deveria ter visto seu sorriso!
Entrei no quarto para despedir pessoalmente de Connie. Lá na mesa de cabeceira, estava um grande cartão de Dia dos Namorados que Bill lhe dera. Você sabe do tipo sentimental, que diz: “Para minha esposa maravilhosa... Eu te amo".
Bobbie Lippmam - p.40, 41 e 42
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro....
Dizem os mais antigos que quem já plantou uma árvore, escreveu um livro e teve filhos já pode curtir a vida e esperar pela passagem. Nossa já fiz tudo isso e muito mais!
Em 2008, minha amiga irmã, em um dos nossos gostosos momentos de bate papo, falou-me do concurso Jão de Barro, promovido pela prefeitura de BH e incentivou-me a participar. Ela sabia que na pós-graduação eu havia escrito um texto com muita energia e criatividade, nisso disse-me que eu poderia enriquecer o texto transformando-o em um livro de literatura infanto juvenil. ELA ACREDITOU EM MIM! Relutei um pouco, mas depois decidi fazê-lo. O Livro não ganhou o concurso, nem foi classificado, mas eu ganhei uma experiência incrível!
O dia que decidi registrá-lo na biblioteca Nacional do Rio de Janeiro foi muito emocionante. Preencher aquela ficha com todos os meus dados e eu lá AUTORA... Chique demais! Depois a emoção de receber a oficialização do registro... Amigos é indescritível a emoção destes momentos. Ouvir as críticas do meu grande amor e companheiro... meu corretor ortográfico...kkkk. Sentir a vibração da alegria dele em compartilhar comigo mais esta conquista, perceber e sentir a felicidade da minha amiga irmã, Vivenciar o orgulho da minha mãezona... Nossa impagável!!!
Ainda não consegui publicá-lo, mas sei que o momento vai chegar e outras obras viram.
Não vou postá-lo no blog para não correr o risco de plágio, mas vou deixá-los com um pouquinho de água na boca.
Deu início sua aventura literária, escrevendo um livro de literatura infanto Juvenil, intitulado “O Segredo da Floresta”, com o qual participou do concurso João de Barro 2008, promovido pela prefeitura de Belo Horizonte.
Ao escrever o livro além de inspirar-se nas aventuras/lembranças de infância, Carla pensou em seus filhos, Octávio de 12 anos e Sthefany de 6 anos. Para Octávio desejou estimular seu interesse pela leitura (ele é o Jonas da história) e para Sthefany pensou no amanhã, pois está na fase de alfabetização e ter uma mãe escritora já é um grande estimulo ao aprendizado.
O Segredo da Floresta é um livro envolvente que relata a história de um menino chamado Jonas, que vivia com sua “avó” próximo a uma floresta “ameaçadora”. Pela idade, Jonas é uma criança curiosa que adora desafios... Certo dia se vê dentro da floresta... envolvido com Fesdigunda, Grutemberg, poção mágica,... e sua vida mudaria para sempre... só não podemos dizer se para melhor ou para pior... Leia e descubra... O final é surpreendente.
Crônica 2 do livro Cultura com tempero e sabor
Ricas recordações da Infância
Carla Margareth Moreira Reis Queiroz
Santa Luzia, Década de 70... Deslumbrante rua Direita, com seus casarões contando a rica história, da brava cidade que viveu a revolução de 1842... Naquela época, os veículos ainda eram poucos, Shopping nem pensar... As famílias saiam às ruas, à noite para colocar os “causos” em dia, sentavam-se ao passeio e nós, as crianças, íamos andar de patins (aqueles de ferro, com quatro rodas), de bicicleta, carrinho de rolimã e patinete (artesanais, feitos pelo tio Zé) era o máximo subir rua Direita e descer desafiando o perigo da queda. Sabíamos que cair significaria muitos dias em casa cuidando dos ralados e o pior, ouvindo os gritos de alegria e as gozações dos colegas à noite.
Em meio àqueles casarões da rua direita, bem próximo à magnífica igreja Matriz, uma Casa rosa e azul, há anos era habitada por uma família essencialmente luziense. Anexa à casa havia uma loja enorme (Hoje Cejam, antiga boutique Ceci). Lá, atrás daquele balcão um homem alto, bonito, cabelos lisos e negros como índio, sempre assobiando bem baixinho, uma musica suave. O saudoso vô João. Conhecido e carinhosamente lembrado até hoje, como João Barracão. De comportamento discreto, João Barracão construiu seu legado ao lado da forte e destemida esposa – Vó Ceci, comerciante bem sucedida, devota incondicional de Santa Luzia e Nossa Senhora Aparecida. Sempre disposta e alegre... Um casal feliz e abençoado, com seus seis filhos Maria, Mariza, Marina, Mara, João e Magda.
Com tantos filhos, naquela época vô já tinha, seis netos (Liliana, Claudia, Cristiane, Magali, Carla e Giovanni), bem arteiros e que não perdiam a oportunidade de se aventurarem pela “venda” (a loja de João Barracão era carinhosamente chamada de venda). Nela tinha de tudo: feijão, arroz, milho, etc... “à granel”. Era muito bom colocar as mãos ali e remexer em tudo aquilo, só não podia era deixar o vô ver. Sob o balcão, dentre outras coisas, havia, sempre o canecão de alumínio do vô. Cheio de café com leite e pão picadinho, que ele comia durante toda manhã e uma “maravilhosa” vitrine de doces. Aqueles comprados lá na Av. Santos Dumont em Belo Horizonte , cheios de açúcar e embalados individualmente por plástico. Hum... Lembrei-me agora da Maria Mole; branca, rosa, amarela... bem cheia de açúcar e puxenta... “Roubar” aqueles doces da vitrine era uma aventura e tanto, adrenalina pura, como se diz hoje. Quando encontrávamos os estalinhos então? E na hora do “furto”! Se a caixinha caísse no chão? Nossa, que frio na barriga... que corre-corre...
O Vovô tinha as mãos enormes, nunca nos bateu, mas só de ameaçar já saímos correndo pela “contra venda” que dava acesso à casa e nos escondíamos lá no quintal, atrás de algum pé de fruta... Era uma aventura, principalmente que para chegar ao quintal tínhamos que descer aquela escada comprida e perigosa e passar desapercebidos pela vovó, quando estava na cozinha. Ufa! Valia a pena!
Quando chegavam os brinquedos... Nossa! Ficávamos curiosos mas, os grandes olhos do vovô nos “fitavam” como um radar a observar nossas mãozinhas inquietas cheias de vontade de fazer um furinho no plástico para descobrir o que era.
Ah! E os domingos? Estes eram os dias mais esperados. A vovó, exímea cozinheira preparava delícias na cozinha. Era o famoso almoço que aos domingos sempre finalizava com um doce salivante: Gelatina mosaico, torta de banana... Eu naquela, época morava na casa deles e já sabia direitinho quando a sobremesa era a torta de banana, pois o cheiro era inconfundível.
O Domingo era especial para todos os netos que conseguissem repetir a parlenda:
Hoje é Domingo
Pé de cachimbo
O cachimbo é de barro
Bate no jarro
O jarro é de ouro
Bate no touro
O touro é valente
Bate na gente
A gente é fraco
Cai no buraco
O buraco é fundo
Acabou-se o mundo!
Quem conseguisse recitar tudo sem vacilar, ganhava uma moeda enorme de cruzeiro, que saía da antiga e exuberante caixa registradora da venda. A vovó dava duas. Nossos olhos brilhavam ao recebê-las. Íamos direto para a rua do Serro, no antigo bar do Zé Carvalhinho. Com uma das moedas, comprávamos um saco cheio de bala de amendoim coberta de chocolate, e com as outras comprávamos picolés no bar do Bibiano durante a semana, na saída do Grupo Escolar (Modestino Gonçalves e Santa Luzia). Hum! Que delícia!
Era tanta bala que passávamos a semana comendo, afinal, se exagerássemos, não conseguiríamos comer a deliciosa torta de banana da vovó.
Torta de banana
Creme (tipo mingau de maisena grosso)
Coloque em uma panela e leve ao fogo brando:
4 colheres de sopa , bem cheias, de Maisena (dissolvida em um pouco de leite)
2 gemas sem pele
5 colheres de sopa, bem cheias de açúcar refinado
1 colher de sopa, bem cheia, de manteiga.
Essência de baunilha a gosto
Deixe ferver até engrossar e sair o gosto da maisena e da gema.
Doce de banana
1 penca de banana caturra bem madurinha (pique a banana em rodelas)
Faça uma calda de açúcar até dar o ponto de fio, coloque água e acrescente as
bananas. Deixe ferver bem até as bananas cozinharem, sem desmanchar.
Suspiro
2 claras
4 colheres de açúcar refinado
Bata as claras em neve e acrescente o açúcar.
Montando a torta:
Uma camada de creme (metade)
Cubra o creme com o doce de banana
Uma camada de creme (a outra metade)
O suspiro
Leve ao forno pré-aquecido para assar.
Crônica 1 do livro Cultura com tempero e sabor
Sou professora da rede particular e em 2008 o SIMPRO, lançou edital convidando-nos a escrever uma crônica. A crônica teria relação com uma receita que tivesse um significado para o autor. Como amo escrever, escrevi duas. Ambas fazendo referencias as delícias preparadas por minhas queridas avós, Cecy e Olga.
O livro - Cultura com tempero e sabor - foi publicado ao final de 2008 e agora vou compartilhá-las com vocês. Vale a pena experimentar as receitas.
Beijocas
O livro - Cultura com tempero e sabor - foi publicado ao final de 2008 e agora vou compartilhá-las com vocês. Vale a pena experimentar as receitas.
Beijocas
LEMBRANÇAS QUE ALIMENTAM A ALMA
Carla M. Moreira Reis Queiroz
Lembro-me ainda como se fosse agora. Acordava às 05:00 horas, tipicamente adolescente... resmungando, querendo que fosse sábado e que não houvesse aula naquele dia. “Lavar o rosto, tomar café e escovar os dentes era um verdadeiro martírio”... Colocava aquela mochila nas costas, afinal naquela época não existiam pastas de rodinha, mas, em compensação, as mochilas também não eram tão pesadas. 05h:40 min, ouvia a saudosa voz do meu pai :
- Vamos Carlinha, você vai perder o ônibus.
- Já estou indo, faltava apenas passar o brilho (não era gloos). Beijava a mamãe e saía.
Papai me acompanhava até a rodoviária por segurança e, dali, ele fazia a sua caminhada matinal de 8 Km .
Pegava o ônibus de 06h:08min. Ainda fazendo corpo mole, de adolescente, ia logo sentando e tentado encontrar uma posição para o último cochilo, que raramente acontecia, pois a turma (galera) ia entrando a cada ponto e, ao final, o fundo do ônibus era todo nosso. Ai de quem se sentasse ali, que não pertencesse ao grupo. Logo um fazia uma molecagem e só sobrava a turma lá de trás. Até o motorista era conivente com a situação e logo olhava-nos do espelho retrovisor, com aquele sorriso cúmplice... Bem, chegávamos à praça da estação. Nos separávamos e cada um ia para sua escola. Eu ainda pegava outro ônibus, mas naquele momento já estava revitalizada e pronta para o novo dia.
Escutava a música de encerramento, era assim que nossa aula acabava e não com sirenes tocando. Saiamos da sala conversando sobre a manhã de estudos...
Aquele dia era especial para mim. Eu não iria voltar para Santa Luzia, pegaria sim o mesmo ônibus que peguei de manhã, na Av. Amazonas, o 1702 - Pompéia/Jardim América, porém agora no sentido Pompéia, onde iria passar a tarde até o papai chegar. Eu iria para a casa da vovó.
Neta mais velha e sua afilhada, quando chegava ao portão ela já estava lá, com aquelas perninhas curtas, esticadas no banquinho, sentada na cadeira de balanço da varanda, cronometrando a chegada. Afinal, ela era toda pontual. Quando abria o portão, já sentia o cheiro gostoso da comida; ora bolinhos de arroz, ora almôndegas... e o infalível suflê de batatas mas, este era só para o papai. Afinal, era o único varão da casa e o caçula... Deu água na boca só de pensar.
Assim que me via, se levantava e ia até ao portão, sempre trancado de cadeado. Pequenininha, cabelo bem grisalho preso por travessas marrons, unhas bem feitas, saia até os joelhos e blusa de botão. Dava-lhe um beijo gostoso, envolvido pelo aroma do inesquecível Leite de Rosas, e entrava.
A mesa já estava posta. Tudo era muito gostoso. O bolinho de arroz tinha sabor bem escondidinho de queijo e bastante salsinha. Verdura, legume, e o imprescindível arroz com feijão. A carne era variada, bife, frango, almôndegas... Enfim, comida de vó.
Lá da cozinha, vinha o sorriso gostoso e discreto da companheira de anos... A “secretária”, carinhosamente chamada de Coroa. Naquela época eu tinha por volta de 13 anos e ela já estava na família há 12 anos e 5 meses... e esta até hoje! Olhe que já tenho 40 anos!
Depois do almoço, descansar, esticar as perninhas. Cafezinho para completar. O relaxamento, era quase que um ritual.
À tarde, após concluir os trabalhos escolares, jogávamos cartas: buraco, burro... e quando ela ganhava contava até musiquinha. Ai, que saudades daquele tempo, daquelas tardes...
Durante o jogo o cheirinho de café novo invadia a casa. Queijo fresco, pão novinho e de quebra, lá estava o bolinho de arroz (sobra do almoço)...
Lembranças que jamais saem da alma, lembranças fortes de um amor incondicional...
Bolinho de arroz
3 xícaras de arroz cozido até empapar.
Bem sequinho o arroz, passe-o no espremedor de batatas.
Adicione
2 ovos pequenos,
sal a gosto,
cebola média batidinha
Pimentinha à gosto
3 colheres de sopa de queijo parmesão ralado
Farinha de trigo apenas para dar liga na massa.
Ao final
1 colher de sopa de pó Royal.
Frite em gordura limpa e aquecida, as colheradas da massa. 09/09/08
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